A temporada do Everton foi definida por uma dupla ambição: garantir uma vaga europeia e acabar com uma seca de troféus que em breve chegará aos 32 anos. No entanto, os novos proprietários do clube, The Friedkin Group (TFG), mudaram abruptamente o foco, anunciando a disposição de vender o clube e suspendendo o orçamento de transferência. Apesar da incerteza financeira, o técnico DavidMoyes continua com as mesmas expectativas de entregar resultados com o elenco que possui.
O próximo confronto da quarta rodada da Carabao Cup contra o Newcastle United, em Goodison Park, na quinta-feira, é um momento crítico para Moyes. Com 7.732 adeptos presentes depois de o Everton ter atribuído 15% do terreno ao adversário, o jogo oferece uma oportunidade de avançar numa competição que o clube nunca venceu e de levantar o moral após derrotas consecutivas para Chelsea e Arsenal. O jogo é o primeiro de dois encontros consecutivos com o Newcastle, sendo o segundo um jogo da Premier League no StJames’ Park, na segunda-feira. Para os Toffees, uma vitória pode despertar confiança e aproximá-los da vaga de qualificação europeia que almejam.
As opções de ataque do Everton foram severamente limitadas pela turbulência de transferências do verão. O clube vendeu Harrison Armstrong para o Nottingham Forest por £ 35 milhões, uma medida que gerou protestos de torcedores que esperavam que ele ficasse. A saída deixou o elenco sem um atacante comprovado, deixando Thierno Barry como o único atacante. Barry, que começou sua segunda temporada na Inglaterra com quatro gols nos dois primeiros jogos, tem lutado para manter a forma, perdendo 12 chances importantes nesta temporada. A falta de um artilheiro confiável foi agravada pela subutilização dos laterais Brennan Johnson e Jack Grealish, e pela utilização moderada dos jovens talentos Hayden Hackney, Tyrique George e Tyler Dibling. Até a posição do goleiro levantou preocupações, com as atuações recentes de Jordan Pickford descritas como “atípicas” pelo capitão do clube, James Tarkowski, que exortou o time a “obter resultados” antes da eliminatória da copa.
Moyes, de 63 anos e cujo contrato vai até o final da atual campanha, tem falado abertamente sobre a necessidade de apoio do proprietário. Recentemente, recebeu uma homenagem da Associação de Escritores de Futebol do Norte, onde reflectiu sobre a sua carreira de treinador de 1.200 jogos e expressou o desejo de que mais treinadores britânicos trabalhassem no estrangeiro. Ele também lamentou a falta de troféus em comparação com colegas de longa data como Sir Alex Ferguson, Arsène Wenger e José Mourinho. O único título importante de Moyes veio com o West Ham United em 2023, quando venceu a Europa Conference League e encerrou uma seca de troféus de 43 anos. Ele espera repetir esse sucesso com o Everton, mas a instabilidade financeira do clube e a intenção de venda dos proprietários dificultam o planeamento a longo prazo.
No mercado de transferências, o Everton obteve um lucro de £ 25 milhões na última janela e é o jogador com menor gasto líquido na Premier League nos últimos cinco anos. No entanto, os novos proprietários do clube parecem não estar dispostos a investir mais, especialmente em Janeiro. Moyes reconheceu o desafio, observando que “há apenas uma pessoa que tende a ser chamada no final”. O futuro do clube depende agora de os proprietários apoiarem Moyes com os recursos necessários para construir uma equipa capaz de competir pela Europa, ou se o clube será vendido num mercado difícil, deixando o treinador numa situação precária. O resultado da eliminatória com o Newcastle pode ser crucial, oferecendo uma oportunidade de galvanizar a equipa e potencialmente influenciar a decisão dos proprietários sobre o futuro do clube.
