As federações europeias de futebol manifestaram colectivamente o seu alarme relativamente à nova pausa internacional de três semanas, argumentando que criou uma perigosa sobrecarga de jogos, lesões e dificuldades financeiras. Numa reunião em Berlim, na quinta-feira, representantes de quase todas as federações nacionais manifestaram a sua intenção de pressionar a UEFA a regressar ao calendário anterior de cinco janelas de duas semanas que existia antes da época 2023-24.
A mudança, aprovada pelo Conselho da FIFA em 2023, reduziu as tradicionais janelas de setembro e outubro a um período único e mais longo. De acordo com o novo formato, as seleções nacionais são obrigadas a jogar quatro partidas da Liga das Nações em um período que normalmente seria distribuído por 11 dias. O calendário mais apertado levantou preocupações sobre o bem-estar dos jogadores, uma vez que a maior intensidade dos jogos competitivos limita o número de substituições e deixa pouco espaço para recuperação. Vários jogadores de alto nível – incluindo KylianMbappé, AlexScott, CodyGakpo, AlexanderIsak e BrianBrobbey – já relataram lesões que atribuem ao calendário congestionado.
A presidente da Associação de Futebol, Debbie Hewitt, e o executivo-chefe, MarkBullingham, estavam entre os que criticaram a mudança. Destacaram as implicações financeiras de acolher dois jogos em casa em rápida sucessão, observando que as federações mais pequenas têm dificuldade em comercializar e vender bilhetes para um calendário tão apertado. “É um desastre”, disse um presidente da FA ao Guardian, um sentimento partilhado por muitos outros que consideram que a nova janela prejudica nações com menos recursos que não podem dar-se ao luxo de rodar equipas de forma tão eficaz.
Algumas federações sugeriram uma abordagem mais flexível, propondo que a duração do intervalo fosse adaptada às necessidades de cada continente. Outros argumentaram que o período prolongado poderia beneficiar os dirigentes das seleções nacionais, proporcionando mais tempo para trabalhar com os jogadores. No entanto, o consenso foi claro: o formato atual é impraticável e injusto, especialmente tendo em conta que a classificação do Euro2028 será influenciada pelo desempenho da Liga das Nações.
Apesar da oposição generalizada, a probabilidade de uma rápida reversão parece pequena. O calendário de jogos internacionais está fechado até 2030 e as relações entre a FIFA e a UEFA deterioraram-se desde o escândalo da Forward Enterprise. Qualquer mudança pode depender de uma mudança na liderança da FIFA, já que o presidente GianniInfantino busca um quarto mandato em março. Por enquanto, as federações europeias continuarão a pressionar a UEFA para um regresso ao calendário antigo e mais equilibrado.
