O Shakhtar Donetsk garantiu uma vitória por 3‑1 sobre o AEK Atenas, num jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões que foi tanto uma declaração política como uma competição de futebol. O jogo, disputado no Stamford Bridge do Chelsea, em Londres, destacou o status do clube como um símbolo da resiliência ucraniana em meio à guerra em curso na região de Donbass. Com o seu estádio fechado desde Maio de 2014, o Shakhtar foi forçado a receber jogos em cidades de toda a Europa, de Varsóvia a Ljubljana, e agora Londres, uma vez que os aeroportos ucranianos permanecem inoperantes e o país está sob constante ameaça de ataques aéreos e ataques de drones.
O diretor esportivo do clube, Dario Srna, disse que o time joga “para pessoas da Ucrânia de todo o mundo”. Ele acrescentou que a presença do Shakhtar na Liga dos Campeões representa uma identidade ucraniana mais ampla, não apenas um clube de futebol. O jogo em si foi uma demonstração de desafio: os adeptos do AEK encheram o Shed End com tifo, bandeiras e cânticos, enquanto os adeptos do Shakhtar, embora em menor número, estavam determinados a apoiar a sua equipa. Do lado de fora do estádio, os vendedores vendiam lenços com nomes de jogadores do Shakhtar, como Pedrinho, Mykola Matviyenko e Valeriy Bondar, e um recorte de papelão em tamanho real do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy substituiu o rosto de Dwayne Johnson em um pôster promocional.
A propriedade e a liderança do Shakhtar também foram moldadas pela guerra. O presidente do clube, Rinat Akhmetov, de etnia russa nascido em Donetsk, optou por permanecer na Ucrânia, apesar da sua vasta riqueza e dos laços políticos anteriores com o ex-presidente Viktor Yanukovych. Srna, um croata que cresceu na Jugoslávia devastada pela guerra, manteve-se leal ao clube durante 23 anos, tendo mesmo recusado ofertas para ingressar no departamento de recrutamento do Barcelona. “A Ucrânia e o Shakhtar estão no meu sangue”, disse ele, enfatizando os riscos pessoais envolvidos.
A vitória veio num momento em que o time já estava exausto das viagens. Eles partiram na manhã de quinta-feira para um voo às 10h em uma companhia aérea de baixo custo para Rzeszów, na Polônia, antes de voltarem de ônibus para a Ucrânia. Os jogadores enfrentaram a incerteza sobre se teriam energia e aquecimento à chegada, ou se precisariam de procurar abrigo contra ataques aéreos. Apesar destas dificuldades, a vitória ofereceu um breve momento de esperança ao clube e aos seus adeptos.
Olhando para o futuro, o Shakhtar continuará a competir na Liga dos Campeões contra clubes como o Real Madrid, que deverá visitar Stamford Bridge no final deste mês. A jornada da equipa sublinha o absurdo de um clube sem estádio lutar pela sobrevivência numa zona de guerra, mas também demonstra o poder do desporto para proporcionar uma sensação de normalidade e unidade face a adversidades inimagináveis.
